Homilia de Dom Ângelo Pignoli

Por ocasião da Solenidade do Quadragésimo ano da Diocese de Quixadá

Diocese de Quixadá – CNBB – Nordeste 1

por ocasião da Solenidade do Quadragésimo ano da Diocese de Quixadá

Primeiramente quero dirigir a minha saudação carinhosa a Dom Joaquim Rufino do Rego (aqui presente) que apesar com a saúde precária, não mediu esforços para estar conosco nesta noite. Ele que foi o 1º anjo desta Igreja que há quarenta anos nascia.

Quero também saudar Dom Adélio Tomasin, meu imediato antecessor, que durante longos anos foi o segundo pastor desta Igreja. Zeloso, atuante e empreendedor admirável. Revolucionando este sertão central e totalmente empenhado na promoção dos pobres.

Saúdo também meu irmão Dom João José da Costa – Bispo de Iguatu-Ce que se une a nós nesta grande ação de graças a Deus.

Minha saudação aos sacerdotes todos da diocese e de outras dioceses vizinhas. Alguns também, representando seus bispos e dioceses do regional.

Meu destaque e apreço às autoridades civis e militares presentes que nos prestigiam com suas presenças e colaboraram conosco na realização deste evento.

Meus queridos irmãos e irmãs que atendendo ao meu apelo e dos sacerdotes que trabalham comigo, aqui estão tão numerosos sem medir as dificuldades das distâncias e acesso precário.

Celebremos hoje verdadeiramente a grande ação de graças pelo imenso dom que Deus nos fez há 40 anos. Somos verdadeiramente Igreja de Cristo que se torna presente em todas as comunidades locais de fieis que, unidos aos seus pastores, se reúnem, pela pregação do Evangelho e celebrar o mistério da Ceia do Senhor.

Quixadá é, há 40 anos, uma Igreja particular ou diocese. Uma comunidade de fieis cristãos em comunhão na fé e nos sacramentos, com o seu bispo ordenado na sucessão apostólica. A igreja particular é formada à Imagem da Igreja Universal; É nelas e, a partir delas que existe a Igreja Católica, Una e Santa.

A nossa Igreja particular, como as demais, são plenamente católicas pela comunhão com a Igreja e o Bispo de Roma que preside a caridade.

Em Cristo, Deus abriu um caminho de salvação e de vida eterna para sua amada.

Queridos irmãos, não foi apenas um ato jurídico que aconteceu há 40 anos, mas ato de eleição de Deus. Ele constituiu um povo novo conduzido por um pastor, sucessor dos Apóstolos que, auxiliado e em comunhão com um presbitério, tem a missão de apascentar as ovelhas, para que elas caminhem em segurança.

Neste ano de 2011, também a Igreja de Tianguá (do nosso regional), celebra seus quarenta anos de existência e mais outras pelo Brasil afora. Queremos unirmos a elas e a todas as igrejas particulares do mundo que, pela paixão, morte e Ressurreição de Cristo e pelo poder do Espírito Santo, realiza-se a Bendita comunhão dos Santos.

Esta nossa festa dos 40 anos, pensada há muito tempo e ultimamente mais celebrada e divulgada é Páscoa do Senhor. (Passagem libertadora e restauradora). Sabemos que a Páscoa é a festa das festas: É fonte e origem da vitória sobre a morte e o pecado. Mistério tão grande que se concretiza e atualiza realmente em cada Eucaristia, porque tudo é feito em memória do Senhor. Ele realizou a grande obra da libertação do gênero humano por sua entrega total na obediência perfeita à vontade do Pai.

Antes do Concílio Vaticano II muitos estudiosos perguntavam-se como Jesus realmente teria celebrado a sua ultima páscoa, origem e razão de todas as nossas festas e Eucaristias. Foi surpreendente, neste sentido, a redescoberta da páscoa hebraica que Jesus, como bom hebreu, terá vivido em toda a sua vida, com as devidas mudanças fundamentais de sentido que realizaria na quinta feira santa, antes da sua paixão.

Refiro-me à celebração pascal hebraica e de Jesus Cristo porque tornou-se a noite mais esplendorosa e de pura ação de graças, em que Deus está totalmente presente e atuante na medida em que, passo à passo, num crescente constante, se narram os grandes feitos do Senhor ao longo de toda a história da salvação e se anunciam o cumprimento das promessas do amor pleno.

Queridos irmãos, nós também, acreditamos que, quando narramos os acontecimentos e recordamos pessoas que fizeram e fazem parte dos 40 anos de História, Deus está totalmente presente para, novamente, tornarmo-nos livres para amar e introduzir-nos na vida eterna do seu Espírito. Portanto, meus irmãos, Deus deve ser proclamado o Senhor do Tempo e da História. A Ele adoramos porque, em nenhuma circunstancia, se afastou de nós, sempre nos amou, nos ama e nos garante que caminhará a nossa frente, não permitindo que as potências do inferno prevaleçam contra sua Igreja.

Esta Igreja de Quixadá ao ser instalada canonicamente, recebeu oficialmente como titular a Sagrada Família. Por isso, escolhemos para esta ocasião as leituras, símbolos e a liturgia da Festa da Sagrada Família.

Pelo Diretório litúrgico do Brasil, deveríamos celebrar a Festa da Assunção de Maria. Festa muito importante para todos nós porque, em Maria, elevada as alturas celestes, está traçado também, o nosso destino de glória.

Tendo escolhido a liturgia da Sagrada Família, titular de nossa diocese, Maria não fica excluída, e nós podemos refletir sobre a nossa missão de cristãos, como membros da família dos filhos de Deus, a Igreja. Podemos iluminar as nossas famílias inseridas no mundo em que vivemos e empreender um novo espírito missionário na formação e apoio às famílias chamadas a viver no espírito do Evangelho.

Durante o tempo de preparação desta festa, a imagem da Sagrada Família percorreu a maioria das nossas comunidades e despertou nos fieis o desejo de reconstrução do tecido cristão que, infelizmente tem-se perdido velozmente, colocando em risco toda a base de nossa sociedade.

A Igreja católica tem tido uma grandíssima preocupação com a família e tem emanado muitos documentos e empreendido muitos esforços, às vezes pela maioria ainda desconhecidos. A nossa diocese, há alguns anos, nas assembléias diocesanas e outros encontros de planejamento pastoral, juntamente com o forte apelo missionário e a formação de todos os que compõem a nossa amada Igreja, não deixou de priorizar a família e a juventude. Todos temas correlatos fundamentais para que a Igreja se torne um sinal de luz num mundo coberto de nuvens e sombras cada vez mais espessas.

A Igreja está convencida que só com o acolhimento do Evangelho, a família encontrará realização plena e a esperança que não decepcionam. A Igreja sabe muito bem que o bem da sociedade e de si mesma está profundamente ligado ao bem da família. Por isso, num momento histórico em que a família é alvo de numerosas forças que a procuram destruir ou deformar, sente de modo mais vivo e veemente e missão de proclamar a todos, o projeto de Deus sobre o matrimônio e sobre a Família. O Beato João Paulo II, não se cansava de repetir que o futuro da humanidade passa pela família porque ela é a célula primeira e vital da sociedade.

Na Exortação pós-sinodal do Beato João Paulo II, “Familiaris Consortio”, ao falar da situação em que se encontra a família, menciona aspectos positivos e negativos muitos evidentes hoje.

Apresenta como aspectos positivos:

1- Uma consciência mais viva da liberdade pessoal e uma maior atenção à qualidade das relações interpessoais no matrimônio.

2- Coloca também, a preocupação positiva com a promoção da dignidade da mulher.

3- Procriação responsável e educação dos filhos.

4- Tem aumentado a consciência da necessidade que se desenvolvam relações entre as famílias e uma ajuda recíproca espiritual e material.

5- Apresenta-se também, como positivo a descoberta de novo da missão eclesial própria da família e sua responsabilidade na construção de uma sociedade mais justa.

Nos aspectos negativos, fala de sinais de degradação preocupante de alguns valores fundamentais:

1- Aparece uma errada concepção teórica prática de independência dos cônjuges entre si.

2- Graves ambiguidades a respeito da relação de autoridade entre pais e filhos.

3- As dificuldades concretas que a família muitas vezes experimenta na transmissão de valores.

4- Número cada vez mais crescente dos divórcios e abortos. Verdadeiros ataques contra a vida e a família.

5- Recursos cada vez mais frequente à esterilização e a instauração de uma verdadeira e própria mentalidade contraceptiva.

Meus queridos irmãos e irmãs. Aqui estamos numerosos porque acreditamos que a Igreja quer ser fiel ao Evangelho de Cristo e que, o futuro da humanidade passa pela família humana e cristã. Família Sagrada: Jesus, Maria e José. Família Igreja domestica, onde Deus é colocado no centro, inspirador e realizador da vida nova em nós.

Atrevo-me a dizer que, não venceremos a grande crise que atravessamos; crise que assola a família e a juventude, se em lugar de tantas novelas e programas permissivos e ilusórios, não escutarmos com perseverança a Palavra revelada de Deus, que nos quer dar a verdadeira felicidade.

Também hoje, escutamos três proclamações da Palavra de Deus: a 1ª tirada do Livro do Eclesiástico, procurando explicar aos filhos, já adultos, os dois aspectos do mandamento: honra teu pai e tua mãe e a promessa para que se prolonguem os dias que o Senhor Deus nos dá.

Num primeiro momento, nos é revelado, que honrar e respeitar os pais, socorrê-los e compadecer-se deles na velhice, ter piedade e dedicação para com eles, é cumprimento da vontade de Deus, é obediência ao Senhor. O segundo ensinamento importante, ainda da 1ª leitura, é que a observância do mandamento de Deus não só dá longa vida, mas, é também, expiação dos pecados, a garantia de ser atendido na oração, ter a alegria nos próprios filhos e não ser esquecido por Deus.

Na 2ª leitura, trecho da Carta se São Paulo aos colossensses, nos é indicado como deve ser o comportamento daquele que ressuscitou com Cristo pelo Batismo. Sentindo-nos amados por Deus, recebemos também, o Espírito para imitar Cristo, no relacionamento com os irmãos na fé e no ambiente da família. As relações recíprocas são de sinceras misericórdias, bondades, humildades, paciências, perdão, de paz, de ajuda mútua, de doação autêntica, sem esperar nada em troca.

O Evangelho de hoje, nos lembra como a família de Nazaré está plenamente inserida na trajetória humana. Seus membros, Maria, José e o menino Jesus, escutando a voz de Deus, vivem seus sofrimentos de prófugos e perseguidos. Estão profundamente inseridos na trajetória do povo de Israel, resgatado por Deus da escravidão do Egito. Cristo agora será o novo libertador que nos torna membros da Sagrada Família, a Igreja. Imensamente gratos a Deus por tudo que estamos vivendo, renovamos nosso empenho ainda maior na construção do Reino de Deus e na reconstrução da nossa família.

Ao professarmos a nossa fé, quero lembrar que nesta mesma noite, quase dois milhões de jovens, representando tantos trabalhos juvenis pelo mundo, estão em vigília de oração com o Papa em Madrid. Sintamo-nos unidos a eles e que disso resulte uma vitalidade nova para os nossos jovens, novas famílias e novos servidores da Igreja pela consagração integral a Deus – Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Fonte: Diocese de Quixadá


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